sexta-feira, 12 de outubro de 2018

A PEDRA FILOSOFAL E A UNIÃO SEXUAL


Em épocas imemoriais, ainda na infância da humanidade, já se falava na importância dos elementos da natureza em relação ao homem, como forma de conjunção de saberes milenares que seriam amplamente transmitidos, inicialmente, através da tradição oral.

Ainda no Egito antigo, os ensinamentos de uma figura mítica, e da qual pouquíssimo se sabe até hoje - mas de profundos e extensos conhecimentos acerca de praticamente todas as coisas - despertariam a atenção de seguidores e estudiosos por numerosos séculos adiante, atravessando a Era Cristã e chegando à Idade Medieval, onde disseminou-se o saber de princípios ocultos e telúricos na forma de um ramo do conhecimento que passaria a ser chamado de Alquimia - para muitos, a fundamentação de postulados precursores das ciências químicas.

Porém, representa bem mais do que isso.
Escola alquímica retratada em um painel do séc. XIII

Muitos não imaginam, mas no adentrar dos domínios da Alquimia, há uma sabedoria tão evoluída, e tão fina, que nos faz crer que praticamente tudo que o homem tem pensado se tratar de evolução dos seus conhecimentos, em várias áreas contemporâneas (biologia, psicologia, filosofia, astronomia, a própria química), nada mais são do que assopros e meras tentativas equívocas que não conseguem alcançar uma consciência muito maior, e deveras superior, dos mistérios do Criador e desígnios dos seres, e que remonta a longínquas épocas!

Prezados e prezadas, estamos tão somente falando de alguém chamado Hermes Trismegisto, que naqueles tempos remotos, embasou os vastos fundamentos de tudo que é Verdade, e de tudo que segue como a mais perfeita Lei.

Tido como um iluminado, ou mesmo um semi-deus, pelos antigos egípcios, através de um postulado denominado Tábua de Esmeralda (Tabula Smaradigna), citada por povos de épocas imemoriais, em papiros e escritos diversos ao longo dos séculos por pesquisadores, Hermes firmou as bases do conhecimento que daria origem à Alquimia, as Leis Herméticas, que através de seus 7 princípios básicos, estabeleceria todos os parâmetros para a explicação dos processos de transmutação dos elementos, sendo que, pelo termo "hermético", conhecemos um significado de representação de tudo aquilo que é fechado, lacrado, trancado - não disponível para o mundo e as pessoas em geral.

Ou seja, a filosofia hermética é aquela que não pode ser ensinada a qualquer um. 

Não existe nas grandes cátedras ou universidades da vida, não há nela mestres ou doutores acadêmicos, pessoas que acumulam títulos, a disseminando publicamente em palestras e conferências por aí.

É hermética, pois segue um de seus princípios fundamentais, que é: "os lábios da sabedoria estão fechados, exceto aos ouvidos do entendimento". Eis uma das máximas do hermetismo.

Assim sendo, se detém na simplicidade de sua proposta. Aquele que quer o conhecimento, deverá buscá-lo. Não adianta ficar falando um monte de coisas para ouvidos que não estão interessados, ou que não tem o devido preparo e predisposição para buscar o significado, e entender.

É, por assim dizer, uma ciência oculta.

Seus mestres não esbanjam conhecimento aos sete ventos, evitando assim o perigo traiçoeiro da soberba e da vaidade, os apelos fáceis do se gabar por simplesmente memorizar e sair repetindo frases e textos de livros. 

Há que se buscar! Se aprofundar e decantar, decantar, e decantar os princípios e as Verdades de tudo - tal qual o legítimo alquimista, que através dos sucessivos cozimentos, aquecimentos e resfriamentos, apura as substâncias do magnum opus, a "Grande Obra", a Vida!

Seus iniciados e estudiosos se resguardam, aceitando humildemente as Verdades insculpidas nas Leis, e perseverando em uma jornada mística e silenciosa, observando o fluxo em que o Universo - parte do TODO - se movimenta incansavelmente, direcionando o destino da humanidade e atendendo aos princípios naturais.

Como é assunto prolífico e complexo, para mais de quilômetros e quilômetros de texto, centremos nosso foco aqui, tão somente, em algo já vulgarizado e debatido pela sociedade ignóbil e grande mídia em geral, que é a discussão em torno dos elementos estudados pela tradicional ciência alquímica - e dentre eles, graças às alegorias da literatura moderna, há um que ficou notoriamente ligado à imagem de um famoso personagem infanto-juvenil, o bruxinho dos livros de J. K. Rowling, Harry Potter.

Sabemos que, para a grande Alquimia, existem 4 elementos básicos e essenciais, que são forças de transformação da Natureza sobre todas as coisas e seres - inclusive, o homem - e o entendimento pleno de seus significados e ações é constituído da forma como tudo se transforma e se movimenta (Princípio do Movimento, presente nas Leis Herméticas). São os quatro elementos: arfogoterra e água.
Esta representação básica de um sistema alquímico busca exemplificar a conjunção dos 3 compostos essenciais (sal, mercúrio e enxofre) que, sob a ação dos 4 elementos conhecidos (terra, água, ar e fogo) se convertem em substâncias fixas ou voláteis, de acordo com o temperamento, de forma a gerar o sal e salitre celestiais e condutores da matéria

Estes são material palpável, qualquer um de nós, reles seres humanos, tem conhecimento e contato com tais elementos básicos da natureza e seus princípios e estados, em suas mais variadas formas. Pelas técnicas já desenvolvidas e difundidas pela ciência comum, podemos facilmente ter acesso a eles, e manipulá-los ao nosso bel prazer.

São mundanos, comuns, afinal.

Mas há além deles um quinto elemento, e este é aquele que era alvo da busca dos alquimistas, uma forma de energia às vezes visível, às vezes invisível, e tão poderosa, que a poucos agraciados sobre este plano terrestre foi concedido o dom de poder obtê-la ou manipulá-la.

Para os antigos egípcios, era conhecida como Azoth. Para uma parte dos gregos, persas, fenícios, e outros povos que tinham contato com os estudos, também passaria a ser chamada pelo nome Kundalini. E ainda passaria por outras denominações, ao longo dos tempos, representando a força e o poder de uma sabedoria oculta e maravilhosa, capaz de operar sobre todos os outros elementos, e todas as coisas e pessoas desse mundo ou do Universo.

Esse quinto elemento, convencionamos chamar de pedra filosofal (no latim, lapis philosoforum).

Só para se ter uma ideia de seu poder, citaremos um dos únicos seres sobre este mundo que o utilizou com inteligência suprema e sagacidade: Jesus Cristo. Possuía o dom da cura, da sabedoria, e da imortalidade.

A pedra filosofal é, pois, o poder sobre todas as coisas e pessoas. A força que move o Universo e está entre nós, dentro de nós, e através de nós, invisivelmente onipresente e ao alcance de todos, mas exigente de um preparo magnífico e extremo para que seja alcançada, visualizada, vivida. 

Seu possuidor deve ser de uma nobreza tal, para merecer tê-la.

A pedra filosofal é um elemento de particularidade tão distinta, que é tido pelos alquimistas como o de maior volatilidade, sublimação, condensação e solidificação de todas as substâncias da natureza, conseguindo transitar entre os estados da matéria com impressionante velocidade e graça - em verdade, não é matéria simplesmente dita, como estamos acostumados a dizer, mas matéria etérea, energia autêntica. Pode se materializar em uma espécie de sólido avermelhado, que num só instante pode sublimar e desaparecer aos olhos mortais, e que indica o quarto estágio do processo alquímico do conhecimento, quando alcançamos a iluminação plena: o rubedo!
Representação artística de como seria a pedra filosofal

E aqui cabe uma observação sobre as motivações que os alquimistas possuíam em seus estudos: o processo de transmutação do chumbo (e outros metais não nobres) em ouro, a busca pela juventude eterna, a criação de homúnculos, e a confecção e manipulação da pedra filosofal.

Na lendária busca filosófica do alquimista, apenas através da união misteriosa entre os dois opostos da Natureza, o masculino e o feminino, é que poderia haver o desenvolvimento da Grande Obra, para que o quinto elemento fosse alcançado. (Princípio do Gênero: "O gênero está em tudo; tudo tem o seu princípio masculino e o seu princípio feminino. O gênero se manifesta em todos os planos").

Se observamos bem, um dos grandes símbolos herméticos é o triângulo - visto que o número 3 é de grande simbolismo esotérico para o conhecimento hermetista, 3 são os componentes utilizados nos processos alquímicos, constituindo a unidade na trindade (mercúrio, enxofre e sal), e 3 são também as entidades perfeitas citadas nos tratados por Trismegisto (nome também derivado de "aquele que detém os 3 conhecimentos superiores"), e essas entidades são o Pai (Sol), a Mãe (Lua), e o Deus único e agregador, na forma do TODO - o Senhor, enfim, de todas as coisas do Universo.

Também no cerne das secretas analogias gnósticas, que vem sendo estudadas pelos grandes mestres há muitos séculos, está incrustada a ideia do homem e da mulher como portadores deste grande símbolo de energia que é o triângulo - sobretudo energia sexual

O homem e a mulher são seres perfeitamente feitos um para o outro, para produzir e conduzir a Grande Obra.

Se observarmos a seguir, a energia sexual se concentra nas regiões erógenas do corpo, os chakras básicos do ser humano, sendo representados pelo triângulo fálico no homem (formado pelo alinhamento do pênis ereto, em relação aos testículos polarizados), e o triângulo vaginal na mulher (formado num alinhamento dos ovários polarizados em relação à vagina receptora) - e exatamente devido a essa condescendência entre ambos os triângulos, é que eles se encontram numa justaposição atrativamente polarizada no fenômeno fundamental da penetração, concretizando a magia milenar da União Sexual Perfeita.



Ainda em consonância com os saberes gnósticos: observemos que, quando da união dos sexos, o triângulo erógeno polarizado do homem entrando no triângulo erógeno polarizado da mulher, se forma um dos símbolos básicos da prosperidade no conhecimento milenar, a famosa Estrela de Davi, a estrela de 5 pontas - símbolo alquímico sagrado, por natureza! 



Um dos maiores mestres de todos os tempos, Nicolau Flamel, que viveu na França entre os séculos XIII e XIV, e tido como um dos únicos a conseguir chegar à composição da pedra filosofal, estabeleceu os êxitos de sua longa empreitada através das vivências e amadurecimento de seu relacionamento com a esposa, Perenelle.

Em seus manuscritos, Flamel narra detalhadamente a presença e ajuda de Perenelle na experiência de produzir o elixir da juventude, utilizando o quinto elemento: "Todavia trabalhei uns três anos, até que finalmente encontrei o elixir, que imediatamente se reconhece por seu forte odor. Primeiro o projetei sobre uma libra e meia de mercúrio e obtive desse modo igual quantidade de prata; isso ocorreu em minha casa, estando presente unicamente minha esposa Perenelle; mais tarde, atendo-me escrupulosamente a cada palavra de meu livro, projetei a pedra vermelha sobre uma quantidade quase igual de mercúrio na mesma casa e de novo estava presente minha esposa Perenelle. Realizei a obra por três vezes com a ajuda de Perenelle, pois como havia-me ajudado no trabalho, o entendia exatamente como eu".

Conta-se que Flamel e Perenelle manipularam a pedra, e obtiveram com sucesso o Elixir da Longa Vida, desfrutando de uma descomunal saúde, juventude e condições físicas, que os levaram a ter conseguido viver por mais de mil anos, viajando e vivendo em segredo com sociedades alquímicas de todo o mundo.

A peregrinação do homem em busca de sua companheira ideal, a parceira perfeita, que irá ajudá-lo a compreender e absorver os conhecimentos dos 4 estágios alquímicos, constitui um dos mais envolventes e esplendorosos enigmas da jornada existencial rumo ao conhecimento.

Jornada essa que, todo grande mestre bem sabe, tem muito mais valores e significados em seu percurso, do que propriamente em sua chegada.


Trecho do Caminho de São Tiago de Compostela, no norte da Espanha: trilha percorrida por alquimistas e buscadores do saber, de todo o mundo, para a enlevação espiritual e o desapego das coisas deste mundo, em função do máximo conhecimento da VERDADE!

sábado, 29 de setembro de 2018

OLHE BEM ESSE ROSTO...

Esse rosto irá representar uma das supremas faces da loucura. E, em breve, estará em um cinema bem próximo de você.

Esse é Joaquim Phoenix, 43 anos. 

Um dos melhores atores da atual geração de Hollywood. 

E ele topou se tornar a próxima encarnação do Coringa - o eterno arqui-inimigo do super herói Batman - na nova adaptação desse personagem para o cinema.

O filme deve contar a origem do vilão e retratá-lo em alguma trama fantástica de violência e transgressão na sombria Gotham City.

Há que se ponderar aqui sobre algumas coisas que nos levam a questionar por que, agora, o cinemão comercial está entrando nessa onda: se cansaram de fazer filmes de heróis, e agora a tendência e fazer filmes solo dos vilõesVide a recente incursão do Venom, inimigo do Homem-Aranha, nas telonas.

O buraco é bem mais embaixo do que se pensa... E pra pular dentro dele, nem é preciso entrar na lisérgica toca do coelho branco - como a inocente Alice, na obra Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol. Não.

A toca já está em você. Ela está dentro de todos nós.

Esse cara é loucão. E ainda vai aprontar muito... (J. Phoenix, caracterizado como Coringa)


A estressante loucura do cotidiano

O que nos fascina nos vilões é sua pretensa desamarra de valores morais e éticos.

Estamos vivendo em um mundo cada vez mais repressor, opressor, e socialmente punitivo mediante as lentes ampliadoras do politicamente correto, que refratam ideias e comentários nas redes sociais dominantes.

Chega-se ao ponto de vigiar o que o outro fala ou exibe através de postagens.

Isso é doentio. Representa um dos traços da sociopatia moderna disseminada no clima de patrulhamento em que a raça humana se acostumou a viver, cada vez mais refém da falta de privacidade do ser.

Privacidade essa reduzida pelas nossas exageradas exposições à visualização virtual.

Portanto, ver em qualquer obra artística os insanos e dementes que refletem atitudes libertárias, relacionadas ao caos e à anarquia, reacende no imaginário coletivo a antiga chama da selvageria primitiva. Do rompimento com os grilhões do que é "certinho" e "aceitável".

E ninguém melhor que o Coringa para representar isso! - um autodenominado agente do caos, como ficou bem exposto naquela que talvez tenha sido a melhor obra a retratar o palhaço psicótico, Batman - O Cavaleiro das Trevas, filme de 2008 de Christopher Nolan, para mim, talvez o melhor filme de herói já feito até hoje. 

Ali, o papel coube ao já falecido Heath Ledger, que chegou a ganhar um Oscar póstumo de melhor ator pela sua brilhante atuação - difícil superar a sua visão altamente realista e assustadora da personalidade deformada do Coringa. Tarefa que cabe, agora, a Joaquim Phoenix: um ator que, aliás, tem todo o cacife para nos oferecer uma outra ótica emocional da loucura do vilão. Esperemos para conferir.

Mas tudo se resume, simplesmente, a isso. A nossa loucura de libertação individual se opondo à loucura da opressão coletiva e social.

Bandidão de cinema pode ser o que nós não somos, e acaba sendo uma válvula de escape da nossa realidade sufocante.

Como toda boa arte, aliás, costuma ser.

Em 2008, o palhaço louco foi representado pelo excelente Heath Ledger


Enquanto isso, nas séries da Netflix...


Terminando hoje de ver a mais recente temporada da série da Marvel, Iron Fist (Punho de Ferro), na Netflix.

Foram 10 episódios contando as novas peripécias do mestre das artes marciais Danny Rand, o "imortal e lendário Punho de Ferro do Templo de K'un Lun", e que conseguiram ser melhor construídas nessa última empreitada dele do que na primeira temporada, que foi criticada por muitos ao retratar o herói como um carinha bem mais imaturo e inseguro do que o clássico personagem dos quadrinhos.

Mesmo assim, a meu ver, a série ainda deixou um tanto a desejar.

Não posso dizer que não rolou uma certa decepção.

Olha só, o problema é que, ao passo que na telona do cinema, a Marvel consegue desenvolver muito bem as suas tramas e personagens, com abordagens concisas e roteiros bem amarrados, repletos de um tom épico e impactante, já nas séries que ela tem desenvolvido no canal de streaming, a coisa tem hora que fica se arrastando e acaba virando um novelão.

É isso aí - senti um clima de novelão.

Danny, seu oponente Davos, e mais um tanto de personagens secundários da trama ficam imersos numa divagação filosófica de kung-fu de boteco, que tem hora que é difícil de aturar.

Abre mais uma, garçom! Que esse episódio tá demorando pra chegar ao fim...

Aff...

Se eu quisesse assistir novela, ia pra Globo ou pra Record, caramba. Ninguém mais tem saco pra isso. 

Tem episódio que é muito papo e pouca ação. E de enrolação, a gente já anda cheio, né?

Mês que vem, a Netflix solta a terceira temporada de Daredevil (O Demolidor).

E vamos ver se, com a peleja do advogado ceguinho e lutador Matt Murdock, a coisa dá uma melhorada.

Iron Fist - o Punho de Ferro nos quadrinhos

domingo, 23 de setembro de 2018

CASAIS MARCANTES DO ROCK

L'amour toujours l'amour... Como dizem os franceses, "amor, sempre amor".


Por mais rebelião e agressividade que tenha demonstrado em seus mais de sessenta anos de existência (ou talvez até por causa disso mesmo), o rock nunca escondeu que, por trás de seus maiores representantes, existiram - e existem - almas desoladas e apaixonadas, que sempre buscaram a satisfação afetiva em romances pra lá de inusitados ou conturbados.


Assim como em outras formas de arte, musicais ou não, alguns famosos roqueiros extravasaram os limites da emoção em suas carreiras e vidas pessoais, buscando ao lado da pessoa amada (e às vezes, odiada!) aquilo que todo ser humano comum, no final das contas, vive buscando: a consumação de seus desejos com "a outra metade", e a felicidade.

Em algumas ocasiões, a busca deu certo. Em outras, não.

A seguir, alguns dos mais marcantes casos de amor da história do rock.



JOHN LENNON & YOKO ONO
A seleção tinha que começar com eles. O mais icônico casal da arte pop até hoje, John e Yoko romperam os limites de sua intimidade para tornar públicos o seu amor e devoção um pelo outro, bem como a sua luta pela paz. Oportunista e de olhos clínicos para a mídia e a publicidade como poucos artistas de sua época, John Lennon indubitavelmente utilizou o seu relacionamento com a artista plástica japonesa, também, para se livrar de um fardo que ele já vinha carregando há algum tempo: enquanto o mundo inteiro continuava embasbacado pela música dos Beatles, ele se sentia preso e sufocado à imagem do quarteto, e ansiava por deixar a banda mais famosa de todos os tempos. Assim, aproveitou a união de sexo e ideias com a libertária Yoko para não só se lançar como artista solo, como também para expor mais o seu imaginário, e começar uma nova fase em sua carreira. Devido a isso, Yoko talvez sempre carregará a imagem de "destruidora de lares e bandas" - além de ser apontada como o motivo da dissolução do grupo (ela e Lennon viraram um grude, e os outros Beatles não iam com a cara dela), ela também não escapou do rancor de Cinthia, a ex-esposa de Lennon, apesar do mesmo alegar que o relacionamento com a esposa nunca fora lá essas coisas. A lendária união John-Yoko durou de 1967, após se conhecerem numa galeria de arte em Londres, até o fatídico dia 8 de dezembro de 1980, quando ele foi assassinado a tiros por um fã, na porta do edifício Dakota, onde morava, em New York. Nesse ínterim, produziram juntos muita música, protestos pela paz, brigas políticas contra o governo dos EUA e a Guerra do Vietnam, e também um filho, Sean Ono Lennon.



John Lennon e sua ex-esposa, Cinthia



BOB DYLAN & JOAN BAEZ
No início da década de 1960, ele era o porta-voz das músicas de protesto pela paz e direitos civis nos EUA, com sua forte voz anasalada, golpes de violão e uma gaita incisiva, autor de clássicos como "Blowin' in the Wind" e "A Hard Rain's Gonna Fall". Ela era a dona de uma das mais doces e belas vozes da música norte-americana, afinadíssima, descendente de índios mexicanos e antenada com as lutas sociais, e despontava nas paradas com um hino cativante, uma mensagem de união cantada por gregos e troianos, "We Shall Overcome". Envolvidos no ambiente de shows folk e de cunho social e político promovidos no ambiente cultural efervescente de New York, logo eles estariam juntos, empunhando seus violões, cantando e compondo, e compartilhando algo mais além de sua arte... Apesar de nunca terem oficialmente assumido um relacionamento fixo e duradouro, estiveram às voltas um com o outro durante muitos e muitos anos, numa eterna união do tipo "vai-e-volta". Ainda que com seus respectivos e vários cônjuges, nunca conseguiram esconder o apreço que sempre sentiram entre si. Dylan chegou a dizer uma vez, numa de suas raras entrevistas: "Não há ninguém como Joan Baez". Cara, vinda de um sujeito fechado, caladão e ranzinza que nem ele, isso é uma p... declaração de amor!
Dylan e Baez, já mais idosos, em um show na década de 80


JOHNNY CASH & JUNE CARTER
Uma das mais belas histórias de amor da história da música norte-americana, a tortuosa trajetória do lendário cantor de country/rock Johnny Cash para se livrar das drogas e conseguir conquistar a sua parceira de palco, a cantora June Carter, é de mexer com o coração de muita gente. Já retratada no excelente filme Johnny & June (2005), com Joaquim Phoenix e Reese Whiterspoon como os protagonistas, é uma história comovente de encontros e desencontros, que culminou após dois casamentos de June até ela finalmente aceitar se casar com Johnny, após um inesperado pedido feito pelo cantor em frente ao público, no meio de um show que eles estavam dando em Londres, em 1968. Eles tiveram um único filho, John Carter Cash, nascido em 1970, e continuaram com uma gloriosa carreira musical durante as décadas seguintes, até a morte de June, em 15 de maio de 2003, por problemas cardíacos. Surpreendentemente, Johnny cumpriu as promessas feitas ao longo da vida de que não conseguiria viver sem a sua companheira, e faleceu apenas quatro meses depois, em 12 de setembro de 2003.


OZZY & SHARON OSBOURNE
Quando o aclamado "príncipe das trevas", o primeiro grande superstar do heavy metal Ozzy Osbourne deixou o seu grupo, que o levara à fama mundial (o Black Sabbath), em fins da década de 70, um grupo de pessoas amigas o ajudou a se levantar da decadência e desilusão que estava sofrendo, bêbado e drogado, para que se recuperasse e pudesse dar um novo rumo à sua trajetória - e o resultado disso foram não só uma triunfal carreira solo, a partir dos anos 80, como também um polêmico e barulhento casamento com aquela que seria sua empresária e "dama de ferro": Sharon Levy, que se tornaria Sharon Osbourne, e comanda a vida do roqueiro com pulso firme desde então, chegando a direcionar lançamentos de discos, todas as campanhas de publicidade e datas de turnê do marido. Tão porra-louca e impulsiva quanto o próprio Ozzy, às vezes, eles já chegaram às raias da agressão física em algumas ocasiões - incluindo uma, em 1989, quando ele, doidão, quase a matou e foi preso! Mas as reconciliações e reabilitações são uma constante na vida turbulenta da família Osbourne, até tema de reality show de sucesso eles já foram. E agora, com a idade avançada dele, parece que as coisas acabaram dando uma sossegada.


ROBERT & MAUREEN PLANT
Outro baluarte do rock pauleira nos anos 70, o mítico Robert Plant - a voz poderosa do grupo Led Zeppelin - teve uma fiel e resistente companheira durante boa parte de todo aquele período na pessoa de Maureen F. Wilson, que a partir do casamento deles em 1968, passaria a adotar o nome Maureen Plant. De origem indiana, nascida em Calcutá, ela era filha de um empresário do ramo metalúrgico, e durante o tempo das vacas magras, antes de fazer sucesso com o Zeppelin, Robert chegou a trabalhar com o sogro na sua indústria. Assim que a banda começou a arrebentar nas vendas de discos e shows lotados, com seu novo tipo de rock, Robert bem que tentou fazer Maureen o acompanhar nas turnês escandalosas e cheias de tietes do grupo - mas ela aturou ir em apenas uma, a segunda deles pelos EUA em 1969. Resignada e serena como toda mulher indiana, ela alegou que não tinha ânimo para aquilo, e que seu papel era cuidar da família. Preferiu ficar na bela propriedade rural que eles tinham comprado na Inglaterra, cuidando dos filhos do casal... ainda que a imprensa mundial enchesse o saco com histórias sórdidas sobre as estripulias do marido, apelidado de "deus dourado", durante as cada vez mais caras e extensas turnês do Zeppelin. Para Maureen, tudo bem - ela sabia que o tal "deus dourado" sempre voltava para comer em sua mão. Nada parecia afetar a vida do casal, até o duríssimo golpe que sofreram em 1977, com a morte até hoje não bem explicada de Karac, o filhinho mais novo deles, então com 7 anos - cogita-se que causada por um vírus raríssimo, para o qual nenhum tratamento deu resultado. O episódio causou uma profunda crise depressiva em Plant, quase o fez dar um fim em sua carreira, e criou inevitáveis abismos na vida do casal. Eles ainda empurrariam o matrimônio até 1982 quando, enfim, resolveram seguir caminhos separados, continuando apenas como bons amigos.
Robert Plant e Karac


KURT COBAIN & COURTNEY LOVE
Um caso lamentavelmente interessante de amor destrutivo, nos moldes da história do casal punk Sid Vicious e Nancy Spungen (retratado a seguir) - no auge do sucesso com o seu novo estilo de rock com a banda Nirvana, que tomou de assalto as paradas (o grunge), Cobain começou a se envolver vertiginosamente com a líder da banda Hole, Courtney Love. Espertinha e tida por muitos como uma "Yoko Ono dos novos tempos", ela foi rapidamente dominando a personalidade fraca e cheia de problemas psicológicos de Cobain, um cara volátil e com um incrível talento criativo oriundo de traumas de infância (veio de um ambiente familiar totalmente desestruturado). Em poucos meses, eles já haviam se casado e Courtney ficaria grávida de uma bela menina, Frances Bean. Infelizmente, ela não representava nem um pouquinho o tipo de suporte e apoio emocional de que Cobain precisava: ao mesmo tempo em que estavam bem, entravam em brigas homéricas disparadas por motivos fúteis, aliados ao venenoso consumo em demasia de álcool e drogas, por ambos. Como consequência naturalmente desastrosa disso, ocorreu o fato já previsível impresso nas letras depressivas das músicas de Cobain, e que o impediria de ver o crescimento da pequena Frances Bean: ele se suicidou com um tiro, em 5 de abril de 1994.


SID VICIOUS & NANCY SPUNGEN
O grande casal trágico da história do rock. O baixista da banda punk inglesa Sex Pistols, Sid Vicious, emendou um romance altamente tóxico com uma fã, a também louquinha e autodestrutiva Nancy Spungen, em 1977, quando o grupo ainda estava no auge. Com o explosivo fim dos Pistols no ano seguinte (por brigas homéricas entre todos os seus integrantes e o empresário mala da banda), Vicious caiu na asneira de se achar "estrela", e que conseguiria se lançar numa vibrante carreira solo nos EUA. Ao migrarem para a terrinha do Tio Sam, com contratos fuleiros que empresários picaretas arrumaram para ele tocar em toda sorte de espeluncas, Vicious se aprofundou ainda mais em sua rotina de dormir e acordar encharcado de bebida e com os braços picados de heroína, arrastando Nancy consigo nessa jornada. Não demoraria muito para que o pior acontecesse: após uma noite de brigas e loucuras, da qual ele jurava não se lembrar de nada, entre 12 e 13 de outubro de 1978, Vicious encontrou o corpo de Nancy no banheiro do quarto de hotel onde estavam morando, em New York. Ela fora esfaqueada no abdômen - uma morte controversa e até hoje não elucidada, em que muitos afirmavam que fora Vicious que a matara, mas versões dos seus advogados de defesa sustentavam que Nancy havia se suicidado, ou mesmo sido morta por algum traficante enquanto Vicious estava apagado, como resultado de alguma dívida de drogas. O fato é que o músico ficou uns tempos na cadeia, e depois que conseguiu sair (em liberdade condicional), passou apenas mais alguns dias vivo: em 21 de fevereiro de 1979, seu corpo é encontrado sem vida, devido a uma overdose de heroína. No bolso de sua jaqueta, sua mãe achou uma carta, que pronunciava o que parecia ser uma nota de suicídio: "Nós tínhamos um pacto de morte, e eu tenho que manter minha parte no trato. Por favor, me enterre próximo a minha querida com minha jaqueta de couro, jeans e botas de motoqueiro. Adeus."


ERIC CLAPTON & PATTIE BOYD

Aqui um caso famoso de "triângulo amoroso" no mundo do rock: em 1965, o guitarrista dos Beatles, George Harrison, conhecera e se apaixonara pela modelo inglesa Pattie Boyd. Se casaram no ano seguinte, e logo Harrison emendou uma grande amizade com outro guitarrista inglês famoso, Eric Clapton, que estava despontando no Reino Unido em bandas como Yardbirds e Cream. Ao conhecer a esposa daquele que havia se tornado seu melhor amigo, Clapton no entanto passou a olhá-la de um modo meio diferente... A avassaladora paixão de Clapton pela mulher de George Harrison se tornaria lendária, e ficou muitos anos escondida no coração e mente do pobre músico, que produziu obras-primas inspirado por tal sentimento (o álbum Layla, de 1970, é todinho dedicado a ela), bebeu, se chafurdou em drogas dos mais variados naipes, e quase morreu de tanto sofrimento, com medo de se declarar e acabar com uma grande amizade. Mas a mandinga musical e sentimental de Clapton foi forte: o relacionamento de Harrison e Pattie foi se deteriorando, à medida em que ele se interessava mais por desenvolver sua carreira solo após deixar os Beatles, e perdia o interesse por ela, até que em 1977 eles se separaram. Aí pronto - Clapton foi correndo e pegou. Ele e Pattie se casariam em 1979.

George Harrison e Pattie, quando ainda eram casados, na época dos Beatles (1966)


PAUL & LINDA McCARTNEY
Simplesmente o "casal fofo" do rock. Paul McCartney sempre foi a antítese de seu parceiro de composições John Lennon, na maior banda do mundo, os Beatles: enquanto Lennon era o roqueiro sarcástico, rebelde e agressivo, McCartney fazia a figura do bom moço, certinho e comportado, de canções doces e românticas - ainda que na velha Londres dos anos 60, durante o auge do sucesso do grupo, todo mundo soubesse que, por debaixo do pano, o cara gostava da "naite" e era bem arteiro. Mas logo ele encontraria a sua cara metade na união com a fotógrafa Linda Eastman - que se tornaria a Sra. McCartney com o casamento dos dois, em 1969. Apesar de seus dotes musicais primários, Paul fazia por que fazia questão de uma vida a dois no estilo "John e Yoko", ou seja, juntos em tudo (será que por pura rivalidade com o ex-companheiro?), então lá se foi Linda tocar junto com o marido pelo restante da vida deles - dali em diante, ela o acompanhou tanto em sua banda solo como no grupo Wings, que ele montou durante a década de 70. Acumularam sucessos nas paradas e filhos, até o melancólico fim da bem sucedida união: Linda deixou Paul viúvo em 17 de abril de 1998, vítima de câncer de mama. Apesar de algumas tentativas até hoje, Paul nunca mais encontrou uma parceira de cama e de banda tão leal quanto ela.


JIM MORRISON & PAMELA COURSON
Mais um famoso casal do rock marcado pelas drogas e excessos. Devido à personalidade forte e excêntrica de Jim Morrison, o lendário vocalista e letrista do grupo The Doors - um cara notavelmente bonito, inteligente e irrequieto - a jovem estilista Pamela Courson, que o conhecera ainda nos primórdios da banda, simplesmente foi enredada num envolvimento sinuoso e tóxico com o músico. Ao mesmo tempo em que tinham brigas avassaladoras, em que praticamente se desafiavam um ao outro à morte, e então partiam em busca de outros parceiros, posteriormente se corroíam de arrependimento e logo voltavam, com juras de amor obsessivas e desesperadas. De certa forma, de acordo com os companheiros de banda de Morrison, ela realmente fazia a cabeça do moço, era a mulher perfeita para ele, a "parceira cósmica" ideal - ruiva, frágil, e ao mesmo tempo forte e temperamental, oferecia um contraponto atrativo para o poeta desafiador e atormentado que ele sempre foi. "Pam era a garota certa para Morrison, porque ela sabia o enfrentar. Era a única com coragem de dizer 'não' para ele, que sabia alterar o humor dele como nenhuma outra fazia, e isso certamente o prendia, em seu coração poético ele era fascinado por esse poder da mulher sobre o homem. Então, eles volta e meia estavam juntos novamente", declarou certa vez o guitarrista dos Doors, Robbie Krieger. O interessante é que, assim que o relacionamento entre os dois deu uma estabilizada, a vida de Morrison também chegou ao fim: após sair da banda para uma carreira como escritor, ele se exilou em Paris com Pamela, mas por pouco tempo: morreu no hotel em que o casal estava morando, por complicações cardíacas consequentes de um longo histórico de bebida e drogas, em 3 de julho de 1971. Pamela também não duraria muito, vindo a falecer de overdose de heroína, em 25 de abril de 1974.


DAVID CROSBY & CHRISTINE HINTON
OK, você está no auge do sucesso. A sua banda é uma das mais bem sucedidas no mundo atualmente, e vocês acabaram de ganhar um disco de ouro pelas vendas do seu mais recente álbum. Você tem tudo, toda a grana, é o rei do mundo, e uma linda namorada que você ama, e vocês vão se casar. E então, no mesmo dia da entrega do disco de ouro, ela morre num trágico acidente de carro. Como lidar com isso? O cantor norte-americano David Crosby, saído da lendária banda The Byrds e então integrante do supergrupo Crosby, Stills, Nash & Young, lidou da mais amarga forma que alguém poderia: ele simplesmente pirou e foi trabalhar. Toda a pressão e correria da fama, e o trauma não tratado de perder uma pessoa querida repentinamente, de uma forma tão triste, o fizeram se afastar de sua banda, se entupir de drogas, e se enfiar num estúdio para, ao longo de três meses negros de depressão, isolado e às vezes com a ajuda de uns poucos amigos, gravar um dos mais emblemáticos discos dos anos 70: If I Could Only Remember My Name (1971) - o nome da obra diz tudo sobre o estado de espírito do cara na época: "se eu pudesse ao menos lembrar meu nome". Em cada uma das emocionantes canções, há resquícios e memórias sobre o relacionamento deles - não era nem preciso imprimir na contracapa do álbum que ele era dedicado a Christine. Mesmo quase tendo morrido também, vítima dos excessos durante a produção do disco, essa foi a forma de Crosby lidar com a dor - e de conseguir dar a volta por cima.


ELVIS PRESLEY & LINDA THOMPSON
Muita gente acha que a mulher da vida do Rei do Rock foi Priscilla Presley, a mãe de sua filha Lisa Marie, com quem ele se casou em 1967, certo? Hum... talvez não. Isso pode estar errado, dado o fato de que Elvis confidenciaria para várias pessoas, ao longo dos seus últimos anos de vida, que ele nunca vivera um período tão legal, amorosamente falando, como aquele ao lado de Linda Thompson - de 1972 a 1976. O interessante é que ela pegou Elvis na fossa brutal mesmo, logo após o choque traumático que foi a sua separação de Priscilla. Ou seja: ela foi a mulher certa, no momento certo, aquela que ajudou o cantor a afogar as mágoas e superar um divórcio que não era esperado por ele - justo um cara que era tido como um dos mais desejados do mundo, ser traído pela esposa junto com o seu instrutor de caratê! Ele a conheceu por intermédio de um dos donos da sua gravadora RCA, Bill Browder, que a apresentou ao rei como sendo a Miss Tennessee 1972 - belíssima, ela havia ganhado o título poucos dias antes. Conforme algumas biografias de Elvis, Linda rapidamente assumiu todos os espaços deixados por Priscila na vida do astro, e outros mais, se tornando uma verdadeira amante, esposa, confidente, secretária, e até conselheira sentimental - Elvis era o tipo de cara super expansivo e performático nos palcos e na vida pública, mas tímido e trancado em si mesmo na pessoal. Ela dominou geralEsperta, Linda soube se aproveitar disso, e viveu uma bela história de amor com o Rei do Rock durante a fase final de sua vida e carreira - tendo também desfrutado de uma boa parte de sua herança depois que ele se foi.

domingo, 16 de setembro de 2018

ESCONDIDO EM MIM


Escondido em mim
Espero a luz sair para me revelar
Tem um grito entalado aqui em minha garganta
Quero respirar o mais puro ar

As trevas agora se apossam de meu ser
Encobrindo o mais lindo segredo de amor que um homem pode ter
Quando as garras da solidão se apossam de mim
Mesmo acompanhado, sofro de uma amargura sem fim

Quero me espalhar aos sete ventos
Quero berrar a todos os confins do universo
Preciso me libertar desses grilhões do sofrimento
Arrebentar essa prisão na qual meu desejo vive imerso

Minha garganta quer irromper num grito de revelação
Os anjos choram quando não encontro salvação
Deus me fez faltando uma metade
A outra fico esperando em doce ilusão

E minha voz fica aqui sozinha
Ecoando pelo espaço sideral
Do próprio cosmos de meus pensamentos
Partiu rouca em viagem descomunal

Todas as vezes em que recluso entoei cânticos de esperança
Fui apenas uma criança na inocência das minhas expectativas
Abandonado à minha própria sorte fui o cara na esquina
Fui aquele que sorria enquanto choro intermitente havia dentro de mim

Peço ao Dono dos Céus todos os dias
Para dar fim a essa minha agonia de volúpia intensa
Onde me pego às vezes sonhando acordado
Fantasiando beijos ardorosos de uma utopia nua e imensa

Escondido em mim, oculto em minhas taras
Homem de fetiches, minha boca insaciável de lábios ardentes
Quer ultrapassar os limites dos orgasmos inimagináveis
Nas sombras de madrugadas insolentes

Escondido de mim
Perdido em desejos proibidos e inconfessáveis
Penetrando consciências com a certeza de meus sentimentos
Perfaço os caminhos de minhas escolhas irrenunciáveis
Onde, em carinhos oníricos, sei que me perderei
E no colo de uma deusa desejada
Minha cabeça repousarei...
Lágrimas de amor, de meus olhos cativos verterei.