domingo, 30 de junho de 2019

BAUMAN E O EXERCÍCIO DIÁRIO DO DISCERNIMENTO


Faz pouco tempo (9 de janeiro de 2017), faleceu um dos mais importantes filósofos da contemporaneidade, o polonês Zigmunt Bauman, autor da célebre teoria da modernidade líquida.

E o que reza essa teoria?


Que nosso mundo entrou numa volubilidade intensa e irreversível de gestos e pensamentos, onde tudo praticamente é ditado pela efemeridade das relações, ações e reações humanas. "Vivemos em tempos líquidos, nada foi feito para durar", se tornou uma de suas mais famosas máximas, e que resume bem o seu pensamento. 
Zigmunt Bauman (1925 - 2017)

No mundo atual, o senso de modernidade em que vivemos se contrapõe ao sentido antigo da palavra - em outros tempos, para nossos pais ou avós, "modernidade" era um termo que se referia a mudanças coletivas e abrangentes para o todo social, visto que se refletiriam em uma maior segurança e bem estar para a humanidade. 

Hoje, "modernidade" passa a ter muito mais o sentido de trazer mudanças significativas para o indivíduo, do que para o todo em que ele está inserido - ainda que ele necessite do todo para viver e interagir. Exemplo disso são a velocidade das informações, dos relacionamentos e contatos, bem como das opiniões e atitudes individuais, reforçando esse sentimento que vivemos de não conseguir manter uma mesma identidade por muito tempo: vive-se uma notável efemeridade e fragilidade dos laços humanos, cimentando a superficialidade das emoções e ideias. 

E óbvio, tudo isso turbinado pelos avanços tecnológicos. A possibilidade de alavancar vários relacionamentos sem, de fato, se aprofundar em nenhum. 

A troca de informações e sentimentos é rápida e constante.

No mesmo momento em que somos tomados pela perplexidade de uma informação ou situação, outra já vem logo a seguir para avassalar nossos sentidos, de forma substitutiva.

"O líquido sofre constante mudança, e não conserva sua forma por muito tempo". Assim são nossos gestos e opiniões atualmente, ditados pelo ritmo frenético do cotidiano. Se amoldam às situações tal qual a água num copo, bem como são chacoalhados ou borbulham da mesma forma. 

Basta imaginar o frisson vivido pela chegada do homem à Lua, e o efeito de prazer e superação coletiva que isso causou em todo o planeta, em 1969. Eram tempos em que um feito extraordinário como esse era observado, repercutido, vivenciado e degustado pela mente coletiva (opinião pública) durante muitos e muitos dias, símbolo também de uma época em que os meios de comunicação eram mais moderados, e a informação, mais lenta. 

Imagine se isso, hoje, causaria o mesmo impacto.

Não há mais que se falar em uma modernidade sólida, pois. Isso foi em um outro estágio da humanidade. Agora há, isso sim, uma modernidade líquida.

E o efeito dessa onda atinge a vivência das mais diversas formas.

Quantas vezes você ou pessoas conhecidas suas já não observaram que diversas tendências do conhecimento também padecem dessa falta de solidez e permanência? "Ah, já não se fazem mais músicas ou filmes como antigamente". Ou "as obras de arte atuais não são tão relevantes quanto as de outrora". 

Teremos um outro movimento como o Barroco, o Cubismo ou o Renascentismo?

Que outros filmes recentes você consegue se lembrar que se tornaram tão referenciais quanto um "Ben-Hur" ou "O Poderoso Chefão"? Por que as grandes obras atuais da sétima arte fogem da busca pela originalidade e se afundam em referências, sempre regurgitando o passado? (Vide um poço delas, chamado Quentin Tarantino...).

E as músicas? Pop, sertanejo e funk descartáveis? Serão tocadas novamente daqui a dez, vinte ou cinquenta anos? Ou isso continuará sendo um mérito de gente como Elvis Presley, Chico Buarque, Roberto Carlos, Beatles, ou até o mais recente Michael Jackson?




Filmes como "Ben Hur" (1958) e "O Poderoso Chefão" (1972) - imagens acima - sobrevivem à prova do tempo, e se tornaram referências culturais permanentes

Tudo isso passa a ser um mero sinal de que a nossa vida moderna escorre por entre os dedos, e nos escapa. 

Gostamos de tudo, e ao mesmo tempo não gostamos de nada. Odiamos diversas coisas, e ao mesmo tempo, não odiamos nada. Não há como se afixar a coisa alguma. Pois se antes, o binômio "espaço-tempo" progredia de uma forma ascendente do espaço em relação ao tempo, agora se inverteu: é o tempo que se projeta numa relação ascendente em relação ao espaço.

E então você me pergunta: "Ok! Mas se Bauman falava que agora é assim, fazer o que?".

Bem, sempre há algo a se fazer.

Bauman era um legítimo representante da sociologia humanística - e como tal, expunha as suas ideias como uma forma de crítica ao fim do ser humano como vítima de suas próprias artimanhas. Sobretudo, tecnológicas. A proposição de suas teorias nos convida a refletir sobre as nossas próprias possibilidades de contemplação da realidade, e mudanças internas e externas. 

E se por acaso, fizéssemos um exercício diário de reflexão das nossas prioridades existenciais? 

Passar a trabalhar nossos egos, para discernir o que realmente deve vir e ir, ser volátil e inconstante ao léu do tempo, e por outro lado, o que deve ser forte e presente, sólido e rígido em nossas consciências, atos e costumes, de forma a sempre nos agregar mais e nos tirar menos.

Para muitos, existe uma verdade insofismável, principalmente para os não partidários das crenças post mortem: de que a vida é muito curta, e o ser humano, afinal, nunca estará definitivamente preparado para o momento final. Diante disso, é inevitável que aproveitemos melhor nossos momentos neste plano terrestre.

Você já parou para refletir o que, em sua vida, é realmente descartável?

E o que deve ser perene, e fixo? Mantido como imprescindível?

Faça uma análise. Não custa tentar.

sábado, 22 de junho de 2019

O FUTURO DA ESCOLA É...


Se humanizar. Cada vez mais e sempre. E todo tanto que você pensar, ainda é pouco.

Esses dias, durante o período de festas juninas, fui buscar o meu filho na escola. Cheguei um pouco antes do horário, e me pus a esperar a saída dele sentado em um dos bancos, imerso nos meus pensamentos de preocupação e ansiedade com tantas coisas, como sempre. Quando, repentinamente, uma das supervisoras apareceu na minha frente e me entregou um saquinho de pipoca. Sem nada dizer. Com um sorriso. E saiu. 

Aquela simples atitude, inesperada, me causou uma sensação... Posso dizer que, em coisa de segundos, eu voltei a ser um menino no pátio de todas as escolas onde já estudei, revisitando a magia de tempos passados. Devo ter ficado com a maior cara de bobo, viajando no tempo com aquele saquinho de pipoca na mão (rsrs)! Mas me senti muito bem, e essa sensação me levou à epifania de observar, como há muito tempo eu não fazia, que estar em uma escola, e vivenciar a experiência do aprender, com pessoas que se importam com você, é extremamente especial e edificante na vida de um ser humano.

Escola boa é escola acolhedora. Que consegue fazer a gente se sentir querido. 

Há muitos anos atrás, quando eu ouvia de alguns bons diretores que escola deve ser como o segundo lar da gente, eu confesso que não entendia muito o real sentido dessa expressão. Hoje, eu a entendo plenamente.

Tudo isso, afinal, para dizer que a escola, se quiser continuar existindo e sendo escola, deve cada vez mais ir de encontro àquilo que é o seu verdadeiro diferencial: a capacidade de se comunicar afetivamente com seres humanos, e nesse processo, conduzir à formação de seres humanos cidadãos. Plenos em seus direitos e deveres. Cientes de sua importância e de seu lugar na sociedade.

É muito fácil o acesso à informação hoje em dia. A garotada está aí, solta e embevecida com tanta tecnologia, e dados fluindo pra lá e pra cá. É clichê consolidado que não há como o professor competir com tudo isso - tolice pensar que pode. 

Isso quer dizer que ele deve desistir, largar de tudo, se abster de preparar bem as suas aulas e todo o conteúdo da maneira mais interessante que puder? Não!!! Absolutamente não. Mas, deve se ater ao fato de que isso por si só, hoje em dia, não irá prender a atenção dos seus alunos.

O professor pode (e deve) dar ao aluno aquilo que ele não encontra em tantos likes, dislikes, memes e views por aí: o contato com a realidade, pele e osso, através do diálogo e da atenção. O "saber se preocupar" com o aluno e sua realidade (muitas vezes, psicológica e socialmente claudicante) deveria se tornar o maior atributo a ser exigido de um profissional de sala de aula, no momento de sua contratação ou efetivação. Mas, há de se convir, é algo que não se pode cobrar, pois não é técnico. É da pessoa. É humano.

Em tempos de banalização do ofício de ensinar, pairam em algumas cabeças governistas até mesmo as velhas teorias absurdas e confrontadoras da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, do home schooling, ou ensino domiciliar (pais ou responsáveis se responsabilizariam pelo ensino dos filhos em casa) - teses tão made in USA quanto as séries que assistimos na Netflix ou HBO, ou seja, bonitas e bem produzidas, mas bem distantes da nossa realidade brasileira! 

Observamos que, se de um lado o Poder Público pensa tão somente em números, e em como desonerar um investimento tão importante como o da Educação, de outro lado, o professor e a escola, enquanto instituições democráticas e sociais, são muito importantes sim, e precisam continuar na ativa - para dar ao aluno todas as chances que ele merece, de socialização, culturalização e erudição.

Cabe aos educadores portanto, nesse momento crítico, assumirem de vez um papel que, talvez, seja o mais transgressor que o ensino brasileiro precise praticar: a tarefa de interventores da realidade social. A consciência de que, apenas se aproximando mais dos seus alunos, através da percepção de suas mazelas, da preocupação e do contato humano, é que conseguirão salvar um navio que muitos já dão como afundado. Mas não é. Muitos mares há ainda para singrar.

O papel transformador da educação em nossa sociedade torna-se, pois, este. Porque são as armas de que o docente ainda dispõe, e que não estão disponíveis para outros usarem e tomarem o seu lugar. Nem a internet, com a barreira da tela e sua distância, que a energia elétrica, o sinal lógico e a virtualidade impõem. E nem os pais do ensino domiciliar, que obviamente não tem como se dedicar tanto assim ao ensino, em um país onde quanto mais você trabalha, mais dinheiro você gasta pagando impostos, e menos tempo tem para ficar com os filhos...

É sempre interessante analisar as contradições.

Recentemente, participei de um processo seletivo para um cargo de chefia no órgão do Estado de Minas Gerais, em que sou funcionário (setor público da Educação, já há 12 anos). Sou da área administrativa, não pertenço a quadros de docência. E apesar de gostar muito do que faço, durante todo o percurso desse processo, bem como ao longo de minha carreira no setor, se tornou inevitável observar como as ambições, decepções, vaidades e amarguras humanas inflamam o dia-a-dia desse ambiente. Algo muito natural, aliás, e que não é só na minha área - acontece em qualquer outro ambiente profissional e administrativo, especialmente no das grandes empresas. 

Mas não deixa de ser interessante comparar, como o nosso meio é frio e repleto de difíceis convivências, ao passo que o ambiente das escolas que monitoramos (digo, o trabalho com os alunos) é caloroso e mais afetuoso. Duas alas do serviço educacional, tão distintas! Fico pensando se certos professores, já tão acostumados com a empatia lúdica de se relacionar com uma classe, se sentiriam bem da mesma forma, em um trabalho técnico.

Em minha atividade profissional, sou conhecido como um cara da tecnologia. Sempre recorrem a mim em termos de como resolver problemas relacionados a aplicativos, dispositivos, sistemas... E durante certa época, fui bastante enfático, nos cursos e capacitações que dei para vários professores, sobre o uso e a importância das ferramentas tecnológicas para a melhoria do ensino em nossas escolas.

Mas vejo que a gente tem que rever os paradigmas. Acho que mudei.

São apenas ferramentas! O dom de fazer a coisa acontecer não mora ali, está em outro lugar.

Se me perguntassem hoje, qual é a palavra-chave para descrever o que é preponderante para que o processo de ensino de nossos jovens funcione definitivamente, em qualquer escola de nosso país, de qualquer modalidade ou categoria, seja numa metrópole ou nos mais recônditos rincões, do Oiapoque ao Chuí, da mais portentosa à mais humilde... eu não mais responderia "tecnologia".

Eu diria: "amor".

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Gostaria de aproveitar este espaço da postagem e fazer aqui uma honrosa menção a Giselle, Crístia e Meire Menezes (foto abaixo, esquerda para direita), e toda a sua maravilhosa e esforçada equipe do COLÉGIO MENEZES, de Ituiutaba-MG. Escola dos meus filhos, que põe em prática, sempre com excelentes resultados, todo esse amor e dedicação aos quais me referi nas linhas acima... Obrigado pelo empenho de vocês, pessoal! Os rostinhos de vocês estarão insculpidos no futuro sucesso e na trajetória profissional de todos os nossos jovens que passaram (e passarão) por aí... ❤




terça-feira, 28 de maio de 2019

BUNDY, EFRON E O LADO ESCURO DA LUA


Existe uma região obscura e lúgubre na alma de cada ser humano, que esconde coisas recônditas que nem as mais soturnas trevas podem malevolamente conjurar.

A esse lugar tétrico onde repousam os demônios do subconsciente de cada um, o grupo de rock britânico Pink Floyd deu o nome, há 46 anos atrás, de "o lado negro da lua", em forma de arte conceitual e musical - The Dark Side of the Moon, o lendário álbum de 1973, com a capa de luz prismática atravessando uma pirâmide existencial, permanece imponente como uma das mais poderosas obras-primas já gravadas na história da humanidade, a retratar o lento e gradual descompasso de um ser humano, rumo à desestruturação psicológica, a psicopatia e a demência.

As suas letras sensíveis e repletas de alegorias sobre a loucura, unidas a uma performance instrumental vigorosa e que representava o ápice do Floyd como conjunto progressivo, fizeram do disco um estrondoso sucesso.

Campeão de vendas absoluto nos anos 70. Marco irrefutável na carreira da banda.

Roger Waters, o mentor intelectual e principal compositor do grupo, sabia do que estava falando naqueles sons: era um cara que conviveu com neuroses e traumas da Segunda Guerra Mundial desde moleque (perdeu seu pai para o conflito), e presenciara dia após dia a queda do seu amigo Syd Barret, o membro fundador, se deteriorando mentalmente com um vício pesadíssimo em LSD, ao ponto de ficar incomunicável - sim, a liderança do Pink Floyd sobrou para Waters ainda em 1968, após a figura do brilhante Barret ter se reduzido a um apelido triste no passado do conjunto, crazy diamond ("diamante louco").
Roger Waters, baixista e líder do Pink Floyd

Corte para 1974.

Em Utah, EUA, o terror começa a se espalhar de forma crescente, com as notícias cada vez mais aterradoras, na mídia, de jovens mulheres que aparecem mortas com sinais de horripilante barbárie, estupradas e desfiguradas. 

Melissa Smith, 17 anos, fora encontrada com o crânio totalmente despedaçado, e marcas brutais de espancamento por todo o seu corpo.

Joni Lenz, 18, encontrada toda ensanguentada na cama do apartamento que dividia com suas amigas, tinha marcas de violência por todo o corpo, e o pior... um pedaço de cano de metal, arrancado de sua própria cama, introduzido na vagina.

Laura Aime, 17, fora encontrada praticamente sem arcada dentária, a mandíbula toda fragmentada e destruída, e seu corpo, assim como o de tantas outras vítimas, apresentava terríveis vestígios de espancamento e sodomia. Uma barra de ferro havia sido provavelmente utilizada para quebrar quase todos os seus ossos.

A esses, se seguiriam muitos outros casos, e em outros estados da Federação também: Colorado, Flórida.

Em todas as tenebrosas ocorrências, a violência sexual bestial, que parecia produzida por alguém animalesco, demente e sem qualquer traço de humanidade, se dava antes... ou até mesmo depois das mortes, indicando também uma doentia predileção pela necrofilia.
Uma extensa listinha de algumas das vítimas de Ted Bundy...

Logo, as peças do quebra-cabeças persistentemente montado pelos policiais começam a se encaixar. O suspeito logo se mostraria um cidadão acima de qualquer suspeita. Um rapaz culto, inteligente e atraente. Formado em Psicologia com excelentes notas, agora ele tentava a sua segunda graduação, em Direito, visando seguir a carreira dos seus sonhos: advogado. Fora filiado influente do Partido Republicano, com excelentes contatos no ambiente político/universitário local. 

Em suas insuspeitas investidas noturnas para saciar a sua obsessão oculta, costumava utilizar gesso em um de seus braços ou pernas para fingir que era um frágil rapaz universitário fraturado, humildemente pedindo ajuda a alguma garota, que lhe chamasse a atenção, para carregar seus livros para o carro. Ele era simpático e gentil. Seu sorriso era cativante. Era virtualmente impossível alguma delas dizer 'não' para ele.

Seu nome era Theodore Robert Bundy.
Um dos maiores maníacos da história - Ted Bundy (1946 - 1989)

Maio de 2019...

O drama de suspense Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile, estreia na Netflix norte-americana. Ainda não há título em português ou uma data específica para estrear na Netflix brasileira, mas deve estar próxima. 

O filme figura o primeiro grande papel adulto do ex-ídolo teenager Zac Efron (High School Musical, da Disney), no papel de Ted Bundy, um dos mais monstruosos e míticos assassinos seriais da história dos Estados Unidos da América.
O Sheldon, convertido em promotor de acusação, resolve largar um pouco de lado as teorias do Big Bang, para acusar Zac 'Bundy' Efron, no filminho novo da Netflix

Apesar de soar superficial em relação aos mais de 30 homicídios brutais cometidos por Bundy, e se ater demasiadamente em sua relação com a primeira esposa, Elizabeth Kloepfer, o filme apresenta uma atuação competente e elogiada de Efron como o serial killer, e dá uma noção aproximada do que foi a trajetória do psicopata.
Zac Efron largou de cantar e dar piruetinha no ar pra ficar bem parecido com Bundy

Mas para quem quiser conhecer em detalhes minuciosos a criminosa e impressionante carreira de Bundy, na real mesmo, nada como assistir na íntegra à mini-série Conversations with a Killer: The Ted Bundy Tapes, também na Netflix, e já disponível há uns 3 meses na brasileira.

É de arrepiar todos os fios do corpo ouvir o próprio Bundy contar, com sua voz calma e gélida, sobre os detalhes de todos os seus assassinatos, em fitas de entrevistas originalmente concebidas pelo jornalista Stephen Michaud, e gravadas por Bundy na prisão, com o intuito de escrever um livro sobre ele. 

Aos poucos, notamos que Bundy não era apenas um sujeito cativante e carismático, com um Q.I. provavelmente acima da média. Ele era, também, o primeiro mega star do crime que se aproveitou do apetite da mídia sensacionalista para se promover, e representou a quintessência do serial killer moderno, calculista e assustador. 

O cara era ainda tão mala, que fez questão de brigar com todos os seus advogados, e atuar em defesa própria, nos tribunais por onde passou...

O verdadeiro "lado escuro da lua" em qualquer pessoa por aí.

Quando ele diz aquela sua clássica frase: "Nós, serial killers, somos qualquer um. Somos seus filhos, seus maridos, estamos em toda a parte. E haverá mais de suas crianças mortas amanhã"... a gente pensa, cara, danou-se. Ele simplesmente escrachou com tudo. 

E ao dizer isso, acabou dando um amargo grito de vitória e um alerta rumoroso, na cara da sociedade inteira, que vai muito além de seu corpo frito na cadeira elétrica à qual foi sentenciado - Bundy foi executado em 24 de janeiro de 1989, após seu julgamento no Condado da Flórida. 

Burn, Bundy, Burn! - "queime, Bundy, queime", gritava a multidão de frente para o Presídio de Starke na Flórida, na madrugada do dia de sua execução, ávida pela morte daquele cara que se tornara um dos inimigos públicos n.º 1 da América.

E o Pink Floyd de Waters, naquela canção Brain Damage ("Dano cerebral"), já prenunciava:

sábado, 25 de maio de 2019

MITOMANIA: um mal psicológico perigoso e crescente


Semana passada, ocorreu em New York o julgamento de Anna Sorokin, uma jovem russa de apenas 28 anos que, desde 2016, quando se mudou para os EUA após deixar sua família na Alemanha (morava lá desde os 16 anos de idade), construiu uma das mais notáveis carreiras criminosas como estelionatária na América. 

A jornada de Anna como "171" - gíria brasileira que designa essa galera que dá golpe, falsifica e mente para obter vantagens financeiras e pessoais - era de alto refinamento. Se dizendo herdeira de uma aristocrática família germânica, ela passou a utilizar o falso nome de Anna Delvey e, com muita inteligência e perspicácia, conseguiu se aproximar das pessoas certas, nos momentos certos, fazendo amizade com a alta elite nova-iorquina devido aos seus extensos conhecimentos sobre o mundo das galerias de arte chiques na Europa e EUA.

Anna se dizia herdeira de uma fortuna de mais de 60 milhões de euros (cerca de R$ 261 milhões), e passou a morar em hotéis cinco estrelas, frequentar festas exclusivas da grã-finagem, e viajar em jatos privados dos amigos. Tornou-se figurinha tarimbada e cheia de curtidas milionárias no Instagram, onde também deixou registradas as suas marcas de pseudo riqueza. 
Anna lacrando o Insta...

Além disso, como forma de realçar a ostentação, gostava de distribuir altas gorjetas aonde quer que fosse.

Detalhe: é filha de uma família humilde na Alemanha, e seu pai é um simples caminhoneiro. Eles ainda não entendem o que deu errado na criação de Anna para ela aprontar tudo isso.

A casa começou a cair em 2018, quando apareceram as primeiras queixas de rombos e prejuízos de hotéis e restaurantes caríssimos da cidade. De alguns, ela simplesmente consumia e se ausentava sem pagar a conta, para nunca mais aparecer. Dar o cano na hora de pagar era o seu modus operandi padrão. Alguns bancos de New York também começaram a oferecer representação contra Anna, visto que ela se utilizava de um esquema bastante facilitado pelo crédito fácil de certas instituições financeiras: fazia depósitos de cheques sem fundo de alto valor nas contas, e antes que o banco se desse conta de que o cheque era "borrachudo" (lá não fazem primeiro a conferência), ela sacava grande parte do valor do mesmo em dinheiro. 

Em suma, uma perfeita pilantrinha.


O interessante é que a história de Anna esbarra em outras de famosos falsários, pessoas com um elevado grau de inteligência, que se faziam passar por aquilo que não eram - é o caso do célebre Frank Abagnale Jr., cuja vida virou filme pelas mãos de Steven Spielberg (Prenda-me Se For Capaz, 2002, com Leonardo DiCaprio no papel), e até mesmo do brasileiro Marcelo Nascimento, que se fez passar por herdeiro do dono da empresa aérea Gol, e enganou o high society e até mesmo equipes de TV. Sua trajetória também foi para as telonas, encarnado pelo ator Wagner Moura no sucesso de bilheteria VIPs, de 2011.

Mas o que intriga mesmo no caso de Anna e todos esses outros, é um traço comum presente na personalidade deles: a ocorrência da mitomania.

Essa disfunção psicológica, já classicamente diagnosticada, é a compulsão do indivíduo por mentir, de forma a melhorar a sua autoestima, produzir sensações de prazer pessoal, e adquirir vantagens pessoais e profissionais, podendo chegar a condições tão agudas, que o paciente acometido por esse mal pode até mesmo confundir aquilo que ele inventa com a própria realidade. 

É o famoso "mentir tão bem, que se acredita na própria mentira".


Dois sucessos do cinema que retratam figuras mitômanas: "Prenda-me Se for Capaz" (Catch me If You Can, 2002), e "VIPs" (2011)

Em todos os seus mais diversos tipos, o "mitômano" é alguém que se satisfaz enganando os outros, tentando projetar externamente uma realidade paralela produzida pela sua própria imaginação fértil, e assim como na psicopatia, sem se preocupar com as consequências geradas a partir disso. 

Até mesmo a mais completa ausência de remorso é um traço bastante comum entre mitômanos e psicopatas - durante seu julgamento, conforme pode ser visto nas reportagens pela TV ou vídeos no YouTube, Anna se portava de maneira displicente, leviana, como se nada de errado tivesse acontecido, e apesar de no final da audiência ter expressado pedidos de desculpa pelo que fez, admitiu que não se arrependera "tanto assim" dos seus atos.

A mitomania é, portanto, patologia de natureza psiquiátrica, séria e comprometedora: o mitômano pode causar enormes danos às vidas de outrem e de si mesmo, pois em diversos momentos não tem a capacidade de distinguir entre uma imagem que cria de si mesmo, de uma que apresente o que realmente é. E nesse processo disfuncional perceptivo, causa engodo a todos aqueles que o cercam, ocasionando prejuízos financeiros, éticos, morais, e que podem gerar até mesmo situações de violência e agressividade. Não é preciso ir muito além para dizer que o mitômano acaba colocando a sua própria vida em risco, dependendo da pessoa para quem ele mente.

Ao ser detectada, deve ser buscado, urgentemente, auxílio médico profissional para lidar com o problema - há tratamento para isso.

Nesses tempos de dubiedade moral em que vivemos, em que toda uma nova geração de indivíduos se embevece ao postar fotos em redes sociais, criar mitos virtuais sobre suas experiências e personalidades, e invariavelmente se deixar atrair pela ostentação e pelos sedutores números de curtidas e de seguidores, nunca é demais ficar de olho em nossos mais diversos contatos, para checar se ninguém está sofrendo desse mal...

segunda-feira, 15 de abril de 2019

PRECISAMOS FALAR SOBRE NICK DRAKE

Um dos mais melancólicos cantores/compositores do mundo se foi jovem, e obteve um reconhecimento bastante tardio

Você já ouviu Nick Drake?

Não é algo fácil, para os corações mais sensíveis.

A obra do eternamente jovem cantor e compositor britânico exige certo distanciamento de nossas emoções mais fortes e ocultas, se não quisermos desabar diante da beleza pungente e etérea de músicas como "Day is Done", "Pink Moon", "River Man" ou "Things Behind the Sun".

O cara era um gênio em tocar sentimentos com sua arte.

Nicholas Rodney Drake nasceu em 19 de junho de 1948, em uma aristocrática família inglesa que já lhe proporcionava um ambiente plenamente musical: a mãe dele, Molly Drake, era uma renomada pianista, violoncelista e cantora. Ele aprenderia a cantar com ela, e antigas gravações guardadas pela família, dos dois ensaiando juntos, apontam a sua voz triste e suave como diretamente herdada da mãe.

Abastado, Drake estudou nos melhores colégios do Reino Unido - dentre eles, Marlborough e Cambridge.


Apesar de desenvolver gosto por esportes e competições de rúgbi nas escolas por onde passou, chegando a vencer uma das modalidades no primeiro campeonato de que participou, Drake logo mostraria ser um garoto muito tímido e recluso. A sua estatura comprida (1,91 m), e o rosto de traços finos e angelicais, lhe conferiam uma aparência exótica, que o deixavam meio desajeitado e sem lugar entre seus colegas. 

A sua dificuldade em se relacionar com garotas também lhe conferia algumas suspeitas de homossexualismo, apesar disso nunca ter sido confirmado por ninguém - ele simplesmente era bastante tímido e calado mesmo.
 Day is Done (1969)

Apesar da insistência para que seguisse uma carreira mais formal e acadêmica, como escritor, professor de literatura ou ator clássico (caminho escolhido por sua irmã Gabrielle, uma de suas maiores incentivadoras artísticas), Drake logo se rebelou contra as escolhas que eram desde cedo impostas pela sua família: apesar da insistência para que se dedicasse a uma formação musical mais erudita, no piano ou violoncelo, o rapaz preferiu mergulhar nos estudos do violão popular, instrumento tido como vulgar e de mau gosto por sua tradicional família.

Os reflexos da desaprovação de seus pais, por seguir uma carreira como cantor e violonista popular, acabariam influenciando o comportamento frustrado e pessimista de Drake por toda a sua trágica vida.

Logo, Drake estaria desenvolvendo um estilo todo peculiar no instrumento, inventando afinações próprias, e se tornando um exímio e genial músico, com uma destreza impressionante, e capaz de cantar e tocar de uma forma que simplesmente hipnotizava todos ao seu redor.


Inspirado pela música barroca, e por velhos bardos e compositores da música campestre e bucólica da Inglaterra vitoriana, Drake se tornou um dos mais legítimos representantes da música folk inglesa - que na época, anos 60, tinha como seus expoentes máximos artistas como Donovan e  Tiny Tim. Nenhum deles, no entanto, com o mesmo talento e genialidade do jovem Drake.

Com apenas 21 anos, após conhecer em Londres o produtor Joe Boyd - que havia gravado bandas como Pink Floyd e Jimi Hendrix Experience - Drake embarca na aventura de gravar o seu primeiro álbum, a obra-prima Five Leaves Left

Era 1969, e Drake havia ingressado no curso de Literatura em Cambridge, mas as suas esporádicas incursões pela vida boêmia universitária, entre uma e outra tragada de erva e goles de vinho, o levavam a tocar em barzinhos onde todos ficavam maravilhados pela sua música, e ele acabou conhecendo gente do meio, como o pessoal do grupo Fairport Convention, de quem se tornou grande amigo.

O primeiro disco é então lançado mas, para decepção geral de Drake e seus colegas, fracassa nas vendas. Era como se o fantasma de sua família prenunciasse uma maldição para que ele não fizesse sucesso, apesar das canções belíssimas.

 River Man (1969)

Também não ajudava muito a postura intimista do cantor - avesso a entrevistas e campanhas de divulgação, ele também não era lá muito chegado em se apresentar ao vivo, o que só fazia com grandes insistências, e não raro seus shows contavam com apenas cinco ou seis músicas, visto que, além de introvertido, Drake era perfeccionista ao extremo, capaz de parar por demorados minutos entre uma canção e outra apenas para afinar o seu violão, até conseguir chegar ao tom exato para suas performances. 

Também costumava, certas vezes, cantar de lado ou de costas para o público, e sempre preferindo palcos mal iluminados, na penumbra.

A maioria das pessoas que conheceu Drake em vida fala veementemente sobre a absurda aura misteriosa em torno do cantor, um cara lacônico e que, apesar de muito cordial e sorridente certas vezes, sempre parecia esconder algo terrível em seus pensamentos, sobre os quais ele absolutamente não gostava de falar. "Nunca dava pra saber no que Nick realmente estava pensando, e ele era muito calado", relatou uma vez sua irmã Gabrielle, a maior encorajadora de sua carreira musical, e que até hoje cuida do legado dele.

O que poucos sabiam, mas que com o passar dos meses e a falta de sucesso em sua empreitada artística, logo ficaria evidente, é que Drake era um dos primeiros grandes artistas da era pop moderna atingido por um mal secular, e hoje amplamente descoberto e debatido, mas que na época não era tão comum de se comentar: ele era depressivo.

De certa forma, o descontentamento com a sua arte (e a falta de reconhecimento da mesma) atingiria novos patamares após a gravação de seu segundo LP, Bryter Later, lançado no ano seguinte, 1970.

Apesar de ser considerado uma evolução natural do som do disco anterior, só que com uma produção mais robusta e instrumentalizada - bateria, baixo, pianos, e até instrumentos de sopro puxavam o álbum mais para o lado do soft jazz - Later foi considerado muito comercial pelo próprio Drake, que apesar de perseguir o sucesso, não queria se render às fórmulas fáceis das músicas feitas para tocar nas rádios.

Ele preferia mais o seu som simples, calcado em voz e violão apenas.

O álbum teve uma performance nas paradas um pouco melhor do que o primeiro disco, mas ainda apresentava uma eminência muito parda de todo o êxito que Drake merecia ter.

A Inglaterra, bem como o restante do mundo, naquele momento, estava vivenciando a última fase dos Beatles, bem como as experiências sonoras modernas de bandas pop e progressivas, e pareciam não dar muita atenção para o tom intimista e sereno da voz grave de Drake e seu violão.

Bastante decepcionado por não estar "acontecendo", Drake começa um lento e tortuoso processo pessoal de isolamento público. Cada vez mais viciado em maconha, e algumas vezes apresentando um comportamento que sugeria a sua viagem sem volta para um outro "mundo", o cantor começa a sair cada vez menos de seu apartamento em Londres, tornando-se um recluso. Os shows escassos, que já não eram muitos, praticamente desaparecem. Em uma de suas últimas apresentações ao vivo, em 1971, Drake simplesmente abandona o palco na terceira música, "Fruit Tree", por achar que o público não está prestando atenção nele.

A espiral depressiva na qual o músico entra é vertiginosa e parece não ter fim.

Um dos seus amigos relata que, por essa época, nunca vira alguém consumir tanta maconha quanto Drake. "Eram quantidades absurdas. E você falava as coisas com ele e era como se estivesse falando com ninguém". 

Alguns sintomas da profunda psicose auto-destrutiva que o haviam tomado sugeriam que ele havia entrado em um caminho sem volta - caiu em descrédito com o pessoal de sua gravadora, a Island Records, que o consideravam cada vez mais neurótico e longe da realidade.

Duas passagens melancólicas sobre o final da carreira de Drake explicitam bem isso: quando ele gravou o seu último LP, o fenomenal Pink Moon, ele entregou as fitas master com a pré-produção sobre o balcão da secretária da gravadora, com um bilhete pedindo para que fossem finalizadas. A moça nem bem percebeu, e o pacote ficou lá abandonado durante mais de duas semanas, tamanho o desdém com que passaram a tratar Drake. 

 Northern Sky (1970)

E em algumas noites, o cantor passou a escolher números de telefone a esmo, no catálogo telefônico de Londres. Ligava aleatoriamente para pessoas, fingindo estar fazendo uma pesquisa para a rádio, perguntando se já haviam escutado em algum lugar as músicas de um cantor chamado Nick Drake... Que coisa triste.

Em 1972, então, sai o terceiro e último disco do cantor, Pink Moon, mais uma vez com canções belíssimas e sentimentais, e mais ao estilo dele - arranjos mais simples, sem muitos instrumentos, e centradas na pureza da interpretação.

Mais uma vez, a repercussão pífia das baladas poéticas do cantor o induzem ao mais severo período depressivo de sua vida - o último.

Para se ter uma ideia, Drake fica totalmente desiludido com o mundo da música, pensa em abandonar tudo que vivera até ali, e voltar para o interior. Ele cogita estudar e se preparar para outra carreira, tentar algo na área da contabilidade, ou engenharia, quem sabe. Empacota as suas coisas, e no final de 1973, volta para morar na casa dos seus pais.

 Pink Moon (1972)

Porém, a sua apatia e mau humor são tão intensos, que a família do cantor, preocupada com o seu estado psicológico, encaminha Drake para sucessivos tratamentos contra a depressão. Ele passa a tomar remédios fortes para controlar o desespero e a ansiedade - mas o seu vício pela maconha já havia se intensificado muito nesse período, e ele continua se drogando, mesclando os efeitos da erva com os das drogas de farmácia, numa perigosa e decadente mistura.

Na fria madrugada do dia 25 de novembro de 1974, enfim, acontece o inevitável: a mãe de Drake vê o filho indo do seu quarto para a cozinha da casa pela última vez, para buscar mais alguns remédios, pois não conseguia dormir. Algumas horas depois, já de manhã, ela percebe que o rapaz está demorando muito para descer para o café. Sobe as escadas e, de longe, já avista no quarto as suas longas pernas estiradas sobre a cama. Ele está deitado em uma posição desleixada, e não usual. 

Ela se aproxima e, apavorada, chama familiares e vizinhos, que confirmam a triste constatação: o corpo de Drake jaz inerte. Já não se detecta pulso, ou respiração.

Ele está sem vida.

Drake tinha apenas 26 anos.


Uma perda lamentável ocorrida pela falta de reconhecimento da mídia, burra e patética, de um artista de plena capacidade em sua época, apesar de todas as suas excentricidades.

A música de Nick Drake é linda, e magistralmente emotiva e atemporal. Quando ele canta calmamente sobre os mistérios do campo e da natureza, sobre o amor não vivenciado e as mazelas da alma, é de uma profundidade que bate doído dentro de qualquer pessoa que já tenha experimentado o que é sofrimento na vida. Não é preciso exatamente entender as suas letras (apesar delas serem também mágicas, especiais), basta ouvir e sentir! - a linguagem da arte de Drake é universal, pois expressa a dor do ser humano que derrama lágrimas ocultas, nascidas das esperanças guardadas no lado esquerdo do peito.

Com o passar dos anos, assim como acontece com tantos outros artistas, um culto silencioso e crescente em torno do nome Nick Drake foi se alastrando pelo mundo, numa divulgação boca a boca e viral entre admiradores da boa música folk e pastoral, que foi tomando proporções assustadoras, e só veio a aumentar com o advento da internet e redes sociais, propagando um mito que era dado como esquecido.

Quem diria: morto, Drake começou a vender como água... 

Centenas e centenas de bandas recentes - do R.E.M. e Radiohead, ao nosso Legião Urbana, e várias outras - reconheceram e pagaram tributo, seja através de covers ou declarações, à arte negligenciada de Nick Drake. E os maiores semanários e publicações contemporâneas sobre arte e música jovem, dos anos 80 em diante, foram unânimes em apontar os 3 registros feitos por Drake em vida, como alguns dos melhores discos já lançados no século XX - fazem parte da coleção dos 50 melhores álbuns de música pop da revista Rolling Stone.

O merecido mas tardio reconhecimento, enfim, para um dos mais melancólicos cantores e compositores que o mundo já conheceu.
O túmulo de Nick Drake, onde as suas cinzas estão enterradas - Cemitério de Saint Mary, em Tanworth-in-Arden, Inglaterra.